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A Escola ponto

Quinta-feira, 19.05.16

 

 

  

A Escola ponto é uma marca privada que se vestiu de amarelo e que se quer considerar parte integrante da rede escolar, embora as regras sejam completamente diversas da escola pública. As regras, a cultura de base e a população estudantil. O ponto quer precisamente ligar o que não é possível ligar.

Portanto, a Escola ponto é uma marca montada com habilidade para convencer a opinião pública de que presta um serviço público e que, assim sendo, deve continuar a ser financiada com o dinheiro do contribuinte.

 

Deve, portanto, perguntar-se ao contribuinte: Está disposto a continuar a sustentar os colégios com contrato de associação? Pegando num dos argumentos-chave da marca amarela Escola ponto, também o contribuinte deve ter liberdade de escolha.

Além disso, o contribuinte foi maltratado, desconsiderado e esmifrado pelos partidos políticos que apoiam a Escola ponto. Partidos políticos que cortaram na Escola Pública.

 

Outro argumento-chave da Escola ponto é a defesa do interesse das famílias. Então e o abandono dos apoios no Ensino Especial? E os preços exorbitantes dos manuais escolares que mudavam anualmente? Como é que isso ajudava as famílias? Afinal, de que famílias estamos a falar?

 

Estamos finalmente a ver um ministro da Educação com uma visão ampla, clara e estratégica da Escola Pública e da Educação. 

Parece que já está a ser pressionado, prensado e massacrado pelos lóbis da Escola ponto. Igreja, empresários da educação, PSD, CDS, isto para abreviar. Por isso, embora tenha o apoio dos partidos que suportam o governo, seria importante ter o apoio do contribuinte.

 

 

Post publicado no Vozes Dissonantes.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 08:20

O sexo está para o poder como o amor está para a autonomia

Terça-feira, 29.06.10

 

A regra das equivalências também podia ser: O sexo está para o sentimento de posse assim como o amor está para a liberdade. Ou ainda, o sexo e o ódio andam de mãos dadas, o amor só dá as mãos à tristeza e ao desamparo; o sexo está sempre insatisfeito, o amor pré-existe e preenche tudo, a ausência e a perda.

Mas, claro!, falar de amor é piroso e antiquado. E certamente não serão os psicólogos e sociólogos modernaços, nem os que promoveram o sexo a tema científico, os sexólogos, a falar de amor. Na verdade, desconfio que de amor não percebem nada. Mas percebem de poder, da linguagem do poder, da sedução e manipulação, dos jogos e jogadas pouco limpas, não são eles os defensores de na guerra e no amor vale tudo?, de que amor estão aqui a falar quando equiparam amor a guerra?, não é de ódio que se fala aqui?, de poder?, de ganhar e perder?, de troféus?

 

Pois é, na ausência de amor falam muito de sexo.

Mas não se ficam por aqui. A perspectiva deles é a correcta. E querem impo-la aos restantes, às crianças. E o que lhes querem impingir é da maior pobreza de espírito que alguém poderia imaginar: vejam isto! Dá para acreditar?

Fazem bem os pais em reagir a tempo.

 

Uma criança tem uma capacidade quase infinita de observar o mundo e os outros. E uma curiosidade insaciável. Faz perguntas, algumas verdadeiramente incómodas para os pais. Que lá lhes vão respondendo como acham que será mais correcto e adaptado à idade dos filhos. São eles que melhor os conhecem, cada criança tem as suas particularidades: umas mais palradoras e expansivas, outras mais tímidas e reservadas, umas mais sociáveis, outras mais recolhidas no seu cantinho.

É nestas fases das perguntas sobre o corpo, como nascem os bébés, que os pais, se assim o entenderem, podem recorrer a apoio de amigos ou de psicólogos (evitar os modernaços) sobre a melhor forma de responder à sua criança, àquela criança em particular e à sua curiosidade.

A criança começará a visualizar uma parte da vida de forma natural, associada aos afectos, às emoções, aos sentimentos, à semelhança dos pais e dos adultos que passam lá por casa. No início esse mundo dos adultos, do quando eu for grande, é vivido de forma muito fantasiada e criativa, mas essa é a perspectiva da criança, que tem o direito de criar e construir o seu mundo e não ser confrontada com a pobreza mecanicista dos adultos, a aridez da ausência do amor dos adultos.

 

No fundo, é isto o que estes pedagogos modernaços socialistas, apoiados pelos psicólogos e sociólogos modernaços como eles, querem impor à criança: o seu modelo de vida mecanicista e artificial em que o sexo ocupa o lugar do amor, o poder ocupa o lugar da autonomia, o ódio o lugar do desamparo.

Aqui o sexo é mostrado à criança na sua crueza e artificialidade mecânica, destruindo de uma penada a riqueza da fantasia infantil. Bonito serviço! Nem precisamos de nos apoiar numa visão filosófica cristã, nem nos valores católicos, basta-nos a sensatez de psicólogos, pediatras, psicanalistas e sociólogos saudáveis. E quem são? Os que vos falam de amor sem qualquer vergonha. Os que vos falam de afectos, de emoções e sentimentos. Os que vos falam em promover a autonomia aliada à responsabilidade. Que sabem que a criança tem direito a crescer de modo saudável e equilibrado, a descobrir o mundo pelos seus olhos e inteligência, sem se ver condicionada à pobreza de espírito deformadora.

 

Já viram bem quem são os Conselheiros do Sexo? Os que são promovidos nas televisões, revistas e jornais? Parecem-vos criaturas equilibradas e felizes?, sensatas e autónomas? Não vos soam, pelo contrário, perfeitamente pueris e artificiais? Servem essas criaturas de modelos de adultos para as vossas crianças e adolescentes? Se vos faltassem mais argumentos, este vos bastaria para encarar de frente, sem se sentirem intimidados, a Obsessão Sexual que querem impingir às vossas crianças na escola pública. Este vos bastaria para a defesa intransigente das vossas crianças desta pedagogia doentia.

 

Nesta sobrevalorização do sexo há lugar para os acessórios, os gadgets, as sex shops, os truques para aumentar o desejo (!), para uma vida sexual satisfatória e gratificante (!!), muitas vezes receitas da transgressão que mais não são do que receitas da manipulação (!!!), mas não para o verdadeiro motor da vida, o amor, nem para a lógica do amor, a vida. Andam juntos.

Seguem, no fundo, uma pedagogia milenar e nem se apercebem: os gregos estão aqui, a sua decadência e pobreza na expressão e experiência dos afectos mas especialistas na manipulação mais boçal. Também os franceses estão aqui, os da escolinha das mulheres, que pretendem libertar (?) da dominação masculina (??), só para as escravizar ao prazer fortuito e vazio.

E até me admira - e aqui vai a polémica possível - que as mulheres adiram a esta pedagogia modernaça misógina socialista, que abomina a maternidade, chama-lhe reprodução, abomina tudo o que nos lembra a origem da vida. Só mulheres que esqueceram a sua maior dádiva, a possibilidade de gerar vida, de a trazer consigo, de a ver no mundo, é que podem aderir a esta pedagogia modernaça. Só mulheres sem auto-estima se podem deixar assim converter (e ajudar a perpetuar) à linguagem do poder.

 

 

 

E aqui está a Petição Contra a obrigatoriedade da Educação Sexual no Ensino Público.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 15:29

"A Escola Caviar" e os "paradoxos em decadência"

Sexta-feira, 23.04.10

 

Não sei quando ouvi esta expressão pela primeira vez mas soube-me à maior ironia... Penso que terá sido a uma Professora com mau feitio mas que era respeitada. Paradoxos em decadência caiu-nos assim, sem percebermos muito bem se se referia ao nosso fraco empenho ou a outras falhas que desconhecíamos. Gravei a expressão na memória e só hoje me surgiu de novo. Porquê?

Somos todos paradoxais, essa é que é a verdade. Só que há paradoxos genuínos e paradoxos retorcidos. Hoje é de um bem retorcido que venho falar.

 

Tudo começou com um post d' O Cachimbo de Magritte. Não sei bem porquê, mas os Cachimbos aglutinaram ultimamente os debates mais interessantes porque implicam dilemas filosóficos e morais... alguns dos debates até se incendiaram, mas os fleumáticos Cachimbos trataram de os apagar a tempo... Este post, no entanto, não provocou reacções, o post que atraiu comentários foi este de Paulo Guinote n' A Educação do Meu Umbigo, o que até se compreende, pois é um blogue de professores para professores e para o público em geral. Aí caiu que nem um meteorito!

 

Antes de introduzir o texto, só uma provocão aos nossos neurónios e à nossa consciência mais abrangente: a esquerda radical, que mais contribuiu para esvaziar a escola da sua verdadeira função, que mais contribuiu para anular a autoridade dos professores, e ainda quem mais contribuiu para destruir a possibilidade deste ambiente que o autor, Daniel Oliveira, observa numa escola ideal, e que todos sabemos que é o ambiente propício ao estudo e à aprendizagem, à troca de ideias e à reflexão, à autonomia e à responsabilidade, à colaboração e ao convívio saudável, enfim, ao ensaio de uma vida activa, se refira a tudo isto que ajudou a destruir com uma nostalgia lamechas e doentia de tão perversa... Se este não é um verdadeiro exemplo de um paradoxo em decadência, vou ali e volto já...

 

Aqui vai, A Escola Caviar: 

 

Quando Daniel Oliveira escreve sobre Educação fico com calafrios equivalentes aos que senti, outrora, quando lia certas coisas do Miguel Sousa Tavares ou do Rangel, versão Emídio.

Com Daniel Oliveira ainda é pior porque ele acumula uma leitura desajustada da realidade das escolas, reflexo – quiçá – de algum trauma mal resolvido da infância ou adolescência (faltou-lhe uma boa secundária da margem sul nos anos 70 para enrijar a pele? ou a dele foi mais melhor boa porque era ainda anti-fascista?) com um lirismo digno de fazer chorar as pedras da calçada, não negando eu que ele tem as melhores intenções, daquelas que tornaram o Inferno um lugar repleto no mau sentido (sim, porque o Inferno até pode ser acessível e desejável por razões apetecíveis e mesmo válidas).

Pelos vistos, Daniel Oliveira visitou uma escola privada e, claro, ficou seduzido pela disciplina, pelo rigor, pela criatividade, pela liberdade, por tudo aquilo que ele e os que pensam como ele no plano teórico ajudaram a não existir no nosso sistema público de ensino.

A minha escola

Conheci uma escola parecida com aquela onde gostaria de ter estudado. O oposto do que as carpideiras do regime, que se dizem “politicamente incorrectas”, defendem. Eles querem a do passado. Nós precisamos da do futuro.

(…)

 A escola pública que imagino, por ser para todos, incluindo para os que não têm famílias que valorizem a formação ou têm apenas poucas condições para o estudo em casa, nunca poderia ser exactamente assim. Mas podia ter isto como ideal.

Se os portugueses conhecessem alguns dos melhores sistemas de ensino público por esse mundo fora perceberiam que os mais ferozes críticos da nossa escola vivem num atraso doloroso. A resposta aos problemas no nosso ensino não está na velha escola fria e implacável. Não perdemos nada com a sua morte. Porque era preguiçosa não inovava. Porque era defensiva não se expunha à criatividade dos alunos. Porque não promovia a liberdade desresponsabilizava. Porque era mais castradora criava cidadãos acríticos. O problema não é o que perdemos, é o que ainda não temos. Ainda não chegámos à nova escola. Aquela onde se aprende a aprender. E a gostar disso.

O meu problema com a nossa escola pública não é ter perdido o velho gostinho do atingamente. É ainda sobrar nela demasiado desse sabor.

Daniel Oliveira é um doutor -a pesar de gostar imenso de sublinhar que não o é – nestas matérias, tem um saber feito de imensa observação, argúcia, vibração. Gosta de falar numa escola “estimulante”, onde se “aprende a aprender”, nessa espécie de paraíso terreno que ele encontro numa escola privada estrangeira em Portugal.

Que ele visitou.

A escola que ele gostava que tivesse sido a dele.

E eu acredito.

Porque a escola-caviar é bem mais agradável do que a escola-pescadinha de rabo na boca com que milhares – muitos – de professores e alunos lidam no seu dia a dia.   "

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 11:55








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